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Sua primeira meia-maratona em 2026: calendário Brasil, inscrição e o checklist de 16 semanas

São Silvestre fecha o ano, Maratona Internacional de São Paulo, Maratona do Rio, Floripa e Curitiba ancoram a temporada. A meia-maratona (21,097 km) tornou-se o rito de passagem do corredor amador adulto no Brasil. Este é o calendário, o passo a passo da inscrição, e o que cabe nas 16 semanas anteriores ao tiro de largada.

# 21,097 km cabe no adulto comum, sob plano e tempo

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 1,4 milhão de inscrições em provas de rua de 21 km ou mais, segundo dados consolidados pela Confederação Brasileira de Atletismo e por plataformas de inscrição como Ticket Sports e Brasil Run. A meia-maratona, distância oficial de 21,097 km, tornou-se o rito de passagem do corredor amador adulto: mais ambiciosa que os 10 km da maioria das corridas de bairro, ainda viável para quem treina 4 vezes por semana, sem a exigência total da maratona.

Para o adulto que vinha correndo 5 a 10 km nos últimos 6 meses, a meia-maratona é o próximo passo razoável. A literatura sobre treinamento para endurance, sintetizada em revisões de Seiler em 2010 (DOI 10.1111/j.1600-0838.2010.01184.x) e em livros como The Triathlete's Training Bible de Joe Friel (atualização 2024), aponta que 16 semanas é o horizonte mínimo viável para preparação consciente, com 12 sendo o piso para quem já tem base aeróbia consolidada.

Este texto cobre o calendário Brasil 2026, o passo a passo da inscrição (taxas, kit, exigências), e o checklist semana a semana para chegar saudável no tiro de largada.

# A tese: a prova é a recompensa, não o ponto de partida

O adulto que se inscreve na primeira meia-maratona como ponto de partida do treino subestima a distância. Os 21 km cobram 1h30 a 2h30 de corrida contínua para o amador iniciante, com impacto repetitivo equivalente a 25 a 30 mil aterrissagens sobre o joelho, tornozelo e quadril. Sem base aeróbia mínima (pelo menos 3 meses de corrida regular de 20 a 30 km por semana), o risco de lesão de overuse é alto, e o desfecho da prova costuma ser caminhada nos últimos 8 km ou abandono.

A premissa central deste texto: a inscrição na meia-maratona deve ser feita 4 a 5 meses antes da data, e o cronograma de 16 semanas começa com uma base que já existe. Para quem está partindo do zero, o caminho é diferente: 3 a 4 meses iniciais de construção de base (caminhada acelerada, trote leve, alguns 5 km), seguido pelas 16 semanas específicas. Total: 7 a 8 meses do sofá ao 21,097 km.

A prova é a recompensa do treino. Não é o atalho que substitui o treino.

A inscrição na meia-maratona deve ser feita 4 a 5 meses antes, com base aeróbia mínima já existente. Do sofá ao 21,097 km: 7 a 8 meses, não 4.

# Calendário Brasil 2026: as provas que ancoram a temporada

O calendário brasileiro de meia-maratonas e maratonas concentra eventos em três janelas: o trimestre de abril a junho (clima ameno em quase todas as regiões), o trimestre de setembro a novembro (idem, em sentido inverso), e o final de ano com a São Silvestre como marco simbólico. Algumas provas-chave para o adulto que prepara sua primeira meia-maratona em 2026:

São Silvestre (São Paulo, 31 de dezembro). 15 km, não 21, mas é o evento de rua mais tradicional do Brasil, com cerca de 35 mil inscritos. Inscrição costuma abrir em agosto, fechar em outubro ou novembro, e custar entre R$ 220 e R$ 380 conforme lote.

Maratona Internacional de São Paulo (abril). Versões de 10 km, 21 km e 42 km. Inscrição entre R$ 180 e R$ 380, abre em outubro do ano anterior. Largada na zona oeste, percurso histórico passando por Faria Lima, Marginal Pinheiros e Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

Maratona do Rio (junho). 10, 21 e 42 km, percurso de Recreio à Glória, passando por toda a orla. Inscrição entre R$ 220 e R$ 350. Ambiente festivo, paisagem icônica.

Maratona de Floripa (maio ou setembro, varia). 10, 21 e 42 km, com percurso passando por Lagoa da Conceição e centro histórico. Inscrição entre R$ 180 e R$ 320.

Maratona de Curitiba (novembro). 10, 21 e 42 km, conhecida pelo clima fresco e organização rigorosa. Inscrição entre R$ 160 e R$ 300.

Provas menores em capitais e cidades médias acontecem ao longo do ano, com inscrição entre R$ 90 e R$ 180, organização variável, e bom valor para primeira experiência sem peso de evento massivo. Consulte a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) e as federações estaduais para calendário completo.

Calendário 2026 de meia-maratonas de referência no Brasil
ProvaData aproximadaDistânciasInscrição
Maratona Internacional SPAbril10, 21, 42 kmR$ 180 a R$ 380
Maratona de FloripaMaio (varia)10, 21, 42 kmR$ 180 a R$ 320
Maratona do RioJunho10, 21, 42 kmR$ 220 a R$ 350
Maratona de CuritibaNovembro10, 21, 42 kmR$ 160 a R$ 300
São Silvestre31 de dezembro15 kmR$ 220 a R$ 380

# Inscrição: o passo a passo que costuma confundir

Inscrição em meia-maratona organizada no Brasil tem fluxo padrão consolidado entre 2022 e 2026. Quatro etapas, com armadilhas comuns.

Primeira: lote. Inscrições abrem em lotes sequenciais, com preço crescente. Primeiro lote (early bird, geralmente em torno de 6 meses antes) custa entre 50 e 70% do preço final. Último lote (próximo à prova) custa cheio. Vale inscrever-se no primeiro ou segundo lote para economizar e para garantir vaga, dado que provas grandes esgotam.

Segunda: atestado médico. Provas de 21 km ou mais exigem atestado médico recente (geralmente até 30 dias antes da prova) declarando aptidão para corrida de longa distância. Custo entre R$ 150 e R$ 350 em clínica especializada (cardiologista do esporte), com avaliação que pode incluir eletrocardiograma de repouso e, em alguns casos, teste ergométrico. Para adultos acima de 35 anos, o teste ergométrico é fortemente recomendado, conforme posição da Sociedade Brasileira de Cardiologia em diretrizes de 2024.

Terceira: retirada do kit. O kit contém número de peito, chip de cronometragem (descartável ou retornável), camiseta da prova, eventualmente brindes de patrocinadores. Retirada acontece nos dois ou três dias anteriores à largada, em local centralizado (geralmente shopping ou ginásio). Levar documento com foto e comprovante de inscrição.

Quarta: dia da prova. Largada costuma ser entre 6h e 8h da manhã. Chegar com 60 a 90 minutos de antecedência. Banheiro, aquecimento leve, organização por pelotão (geralmente por tempo estimado), e cronometragem por chip a partir da passagem pelo tapete inicial. Tempo limite para conclusão é normalmente entre 3h e 3h30, suficiente para finalizar caminhando.

# Antes das 16 semanas: a base aeróbia que precisa existir

As 16 semanas de plano específico assumem base prévia. Sem essa base, o corredor entra no plano carregando déficit que vira lesão ou desistência. O perfil ideal para começar as 16 semanas: 3 a 4 sessões semanais de corrida nos últimos 3 meses, com pelo menos uma sessão chegando a 8 a 10 km, e capacidade de correr 5 km em ritmo confortável sem caminhar.

Quem não tem essa base precisa de fase preparatória de 8 a 16 semanas antes. Estrutura típica: semana 1 a 4, 3 sessões de caminhada acelerada de 30 minutos. Semana 5 a 8, alternar caminhada e trote leve em ciclos de 2 minutos por 3 minutos. Semana 9 a 12, predominância de trote contínuo de 20 a 30 minutos. Semana 13 a 16, corrida contínua de 30 a 45 minutos, com uma sessão semanal chegando a 8 km.

Essa fase preparatória é onde a maioria das lesões iniciais aparece, e onde a maioria desiste. A literatura sobre lesão do corredor iniciante, revisada em Videbæk em 2015 (DOI 10.1007/s40279-015-0333-8), aponta volume excessivo, progressão acelerada e calçado inadequado como os três principais fatores de risco. Regra prática consolidada: aumento de volume semanal não deve exceder 10% por semana.

# O checklist semana a semana: 16 semanas que cabem na vida real

O plano abaixo é referência para adulto que já tem base aeróbia (corre 5 km confortável, 3 a 4 sessões por semana há pelo menos 3 meses). Distância acumulada cresce de 25 km na semana 1 para 50 km na semana 13, com semana de descarga a cada 4 semanas, e taper (redução de volume) nas 2 últimas semanas antes da prova.

Estrutura semanal típica: 1 sessão de tiros (intervalado), 1 sessão de ritmo (corrida em ritmo de prova ou um pouco mais lento), 1 sessão de regenerativo leve, 1 sessão longa (a corrida mais importante da semana, que cresce em distância semana a semana). Total: 4 sessões por semana.

Semanas 1 a 4 (base inicial específica): 25 a 35 km semanais, longão crescendo de 8 a 12 km. Semanas 5 a 8 (volume crescente): 30 a 40 km semanais, longão crescendo de 12 a 16 km, com semana 8 sendo de descarga (volume 70% da semana 7). Semanas 9 a 12 (qualidade e volume combinados): 35 a 45 km semanais, longão crescendo de 14 a 18 km, semana 12 de descarga.

Semanas 13 a 14 (pico): 45 a 50 km semanais, longão chegando a 19 a 20 km, com simulação de prova em ritmo planejado. Semanas 15 a 16 (taper): redução progressiva de volume (35 km na semana 15, 25 km na semana 16), mantendo intensidade em algumas sessões para não perder agudez. Última semana com sessões curtas de 4 a 6 km e dois dias de descanso completo nos últimos 2 a 3 dias antes da prova.

Esse plano é referência. Adulto com vida intensa pode adaptar para 3 sessões por semana, ajustando volume total e mantendo o longão semanal como sessão inegociável. Lesões pedem ajuste antes que virem ausência prolongada.

# Nutrição para a prova: carb loading e plano intra

Para prova de 21 km, com duração entre 1h30 e 2h30 para o amador, o carboidrato passa a ser fator de desempenho. ACSM/AND Position Stand de Thomas e colegas em 2016 (DOI 10.1016/j.jand.2016.01.018) recomenda ingestão de 7 a 10 g de carboidratos por kg de peso corporal no dia anterior à prova, com refeição rica em carboidrato 3 a 4 horas antes da largada.

Para adulto de 70 kg: 490 a 700 g de carboidratos no dia anterior. Em prática, distribuído em 4 refeições, com pratos como arroz, macarrão, batata, pão, fruta. Evitar fibras pesadas e alimentos com alto teor de gordura nas 24 horas anteriores, para reduzir desconforto gastrintestinal durante a corrida.

Durante a prova, em corrida que ultrapasse 75 a 90 minutos, ingestão de 30 a 60 g de carboidratos por hora melhora desempenho e reduz fadiga, conforme Jeukendrup em 2014 (DOI 10.1136/bjsports-2014-093824). Estratégia prática: 1 a 2 géis de carboidrato (cada um traz 22 a 30 g) a cada 30 a 45 minutos, com água. Treinar o intestino em sessões longas de treino, não testar gel pela primeira vez no dia da prova.

Hidratação: 150 a 250 ml de água a cada 20 minutos durante a corrida, ajustando por sede e por taxa individual de sudorese. Em prova de mais de 2 horas em ambiente quente, considerar bebida esportiva ou pinça de sal para reposição de sódio (300 a 600 mg por hora), conforme ACSM e Sawka em 2007.

# Calçado e equipamento mínimo viável

Tênis adequado é o item mais importante. Categoria neutra cabe na maioria dos adultos. Tênis com tecnologia de placa de carbono (Nike Vaporfly, Asics Metaspeed, Adidas Adios Pro e similares) ganhou tração entre 2020 e 2026 como acelerador de desempenho documentado em estudos como o de Hoogkamer em 2018 (DOI 10.1007/s40279-017-0811-2). Para o iniciante adulto, esses modelos custam entre R$ 1.500 e R$ 2.500 e podem não ser necessários: tênis de treino com bom amortecimento (R$ 600 a R$ 1.200) cobre a primeira prova.

O tênis usado na prova deve ter pelo menos 100 a 200 km de rodagem prévia no treino, para evitar bolhas e desconforto em modelo novo. Troca recomendada a cada 600 a 800 km.

Roupa: regata ou camiseta técnica de secagem rápida, bermuda com tecido leve, meias específicas para corrida (evita bolha), boné se sol forte, óculos. Cinto ou colete para géis e celular. Total: R$ 300 a R$ 700 em conjunto razoável.

Cronômetro ou relógio com GPS é útil para monitorar pace e distância. Modelos de entrada começam em R$ 400 (Garmin Forerunner básico, Polar M200). Modelos com mapa e medição avançada vão de R$ 1.500 a R$ 3.000.

Total de equipamento mínimo viável para primeira prova: R$ 900 a R$ 2.500. Para quem tem orçamento maior e mais ambição de desempenho, R$ 3.500 a R$ 6.000 cobre kit completo com placa de carbono e relógio multisport.

# Os riscos que ninguém menciona na inscrição

A meia-maratona é distância segura para adulto saudável bem preparado, mas tem riscos específicos. Hew-Butler e colegas, em 2015 (DOI 10.1136/bjsports-2015-095949), revisaram casos de hiponatremia associada ao exercício, condição grave que aparece em corredores que ingerem volumes excessivos de água sem reposição de sódio. Sintomas: dor de cabeça, náusea, confusão, em casos graves convulsões. Prevenção: beber conforme sede, não forçar volume, usar bebidas esportivas em provas com mais de 2 horas.

Lesões musculoesqueléticas: dor anterior do joelho (síndrome femoropatelar), fascite plantar, canelite, tendinite do calcâneo são as queixas mais comuns em provas e em treino de meia-maratona. Prevenção: progressão de volume gradual (regra dos 10% semanais), calçado adequado, fortalecimento muscular (incluir 1 a 2 sessões semanais de musculação para quadril, glúteo e core), e descanso ativo a cada 4 semanas.

Cardiovascular: eventos agudos durante prova são raros, mas existem. Sociedade Brasileira de Cardiologia, em diretriz de 2024, recomenda fortemente avaliação médica com eletrocardiograma e, para adultos acima de 35 anos, teste ergométrico antes da primeira prova de 21 km. A prova-padrão exige atestado médico, e essa exigência tem razão clínica, não apenas administrativa.

Calor: provas em janeiro, fevereiro e dezembro no Brasil podem ter temperatura ambiente acima de 28 graus na largada. Hipertermia e desidratação são riscos reais. Para a primeira prova, vale priorizar provas em maio, junho, setembro e outubro, com clima mais ameno.

# Musculação como complemento ao treino de corrida

O corredor amador adulto costuma negligenciar musculação por temer interferência com o desempenho em corrida. A literatura sobre treino concorrente, revisada em Murach e Bagley em 2016 (DOI 10.1152/japplphysiol.00433.2016) e em Beattie e colegas em 2014 (DOI 10.1007/s40279-014-0157-y), mostra que volume moderado de musculação não compromete corrida, e melhora economia de corrida (consumo de oxigênio em ritmo fixo) em 3 a 5%, com ganho proporcional de tempo final em prova de 21 km e 42 km.

Estrutura recomendada: 2 sessões semanais de musculação, com foco em padrões de movimento que servem à corrida. Agachamento ou variações (cadeia anterior), levantamento terra ou stiff (cadeia posterior), step-up ou afundo unilateral (estabilidade de quadril), prancha e variações (core), elevação de panturrilha em pé e sentado (resistência específica para a fase final da prova).

Cargas em RIR 2 a 3, 3 a 4 séries por exercício, 6 a 12 repetições nos compostos e 10 a 20 nos isoladores. Sessão dura 45 a 60 minutos. Programação dentro da semana: musculação em dias separados das sessões longas e dos tiros, idealmente após corrida leve ou em dia de descanso.

Para o corredor adulto acima de 45 anos, a musculação ganha importância adicional na prevenção de sarcopenia e na manutenção de densidade óssea, conforme Liu-Ambrose e colegas em 2019 (DOI 10.1007/s40279-019-01093-7) e revisões posteriores. Não é mais opcional, é parte da rotina.

# Preparação psicológica: o que ninguém comenta no kit

A meia-maratona testa não apenas o sistema cardiovascular e musculoesquelético, testa a tolerância ao desconforto sustentado por 1h30 a 2h30. A literatura sobre psicologia do esporte de endurance, sintetizada em revisões de Marcora e colegas até 2018, documenta que a percepção de esforço (RPE) é o limitador prático mais comum em corredores amadores, antes de qualquer limitação fisiológica.

Estratégias práticas para o adulto que prepara a primeira prova: simulação de prova nas semanas 12 e 14 do plano de treino, com distância de 18 a 20 km no mesmo horário planejado para a largada, com alimentação e hidratação no mesmo padrão da prova. Esse ensaio reduz ansiedade e revela problemas que cabe ajustar antes (intolerância a gel, calçado novo demais, roupa que machuca).

Música, podcast ou audiobook em uma das fones nos treinos longos sustenta tolerância em janelas longas, embora muitas provas restrinjam ou desencorajem uso na própria prova por questão de segurança. Treinar com e sem fone alterna nas semanas finais, para a corrida final não depender de um recurso que talvez não esteja disponível.

Mental cues simples (frases curtas como controle o ritmo, mantenha postura, respire fundo) repetidas em momentos de fadiga ajudam a sustentar técnica e ritmo. Estratégias mais elaboradas (visualização guiada, mindfulness aplicado) podem ser exploradas com profissional de psicologia do esporte (R$ 200 a R$ 400 por sessão em capitais), embora não sejam imprescindíveis para a primeira prova.

# A decisão prática para sua próxima semana

Para o adulto que decidiu correr a primeira meia-maratona, três decisões definem o resultado. Primeira: escolher prova com data realista (mínimo 20 semanas a partir de hoje, idealmente 24 a 32 semanas). Maratona Internacional de São Paulo em abril 2026 é boa opção para quem começa a treinar em agosto ou setembro 2025. Maratona do Rio em junho cabe para quem começa em outubro ou novembro.

Segunda: marcar avaliação médica com cardiologista do esporte nas próximas 2 semanas. Eletrocardiograma e, se acima de 35 anos, teste ergométrico. R$ 250 a R$ 500. Sem esse passo, o resto é especulação.

Terceira: investir no tênis adequado nas próximas 2 a 4 semanas. Loja especializada com análise de pisada (gratuita na maioria), R$ 600 a R$ 1.200 em modelo de entrada de marca reconhecida. Tênis errado cobra em joelho, e joelho lesionado cobra em semanas de ausência do treino.

# A semana depois da prova: recuperação que ninguém planeja

O adulto que cruza a linha de chegada da primeira meia-maratona costuma planejar a prova e esquecer a semana seguinte. Recuperação inadequada nos 7 a 14 dias posteriores prolonga fadiga, atrasa retorno e gera frustração. A literatura sobre recuperação pós-prova, sintetizada em revisões de Bishop e colegas e em material da ACSM, recomenda estrutura específica.

Dia 1 e 2 pós-prova: descanso quase total. Caminhada leve de 15 a 30 minutos para ativar circulação, sem corrida nem musculação. Hidratação consistente, alimentação rica em carboidratos e proteína. Banho gelado ou alternado quente-frio pode reduzir dor muscular tardia, embora a evidência seja modesta (Higgins e colegas em 2017).

Dia 3 a 7: retorno gradual. Trote leve de 20 a 30 minutos em ritmo bem abaixo do treino, alternando com dia de descanso. Musculação leve em volume e intensidade reduzidos (40 a 60% do habitual). Atenção a desconforto persistente que não cede em 4 a 5 dias, que sugere lesão de overuse e merece avaliação.

Semana 2: retorno mais consistente, com volume entre 50 e 70% da semana de pico do treino prévio. Reavaliar próxima meta. Para muitos adultos, a primeira meia-maratona é o ponto de partida para a segunda em 4 a 6 meses, com tempo objetivo de melhora. Para outros, é o ponto de chegada do projeto, e a transição para outra modalidade ou para manutenção em corrida casual faz sentido.

A pergunta de planejamento após a prova: o que vem a seguir nos próximos 6 meses? Essa decisão influencia volume e intensidade da fase de retorno, e merece estar mapeada antes do dia da largada.

# O que ler depois

Para quem ainda está na fase de construção de base, vale o texto sobre como começar a correr. Para entender planos de treino por distância, vale o texto sobre planos por distância. Para entender o pulo da meia-maratona para a maratona completa (42,195 km), vale o texto sobre maratona.

Para entender nutrição para performance em prova, vale o texto sobre carboidrato para performance. Para combinar corrida com musculação sem prejudicar uma ou outra, vale o texto sobre corrida e musculação combinadas.

Perguntas frequentes

Quanto tempo de preparação preciso para minha primeira meia-maratona?
Para adulto com base aeróbia mínima (3 a 4 sessões semanais de corrida nos últimos 3 meses, com 5 km confortáveis), 16 semanas são suficientes. Para adulto vindo do sofá, são necessárias 8 a 16 semanas adicionais de fase preparatória (caminhada acelerada e trote leve), totalizando 7 a 8 meses entre a decisão e o tiro de largada.
Quanto custa correr a primeira meia-maratona?
Custo da inscrição entre R$ 90 e R$ 380, conforme prova e lote. Equipamento mínimo viável (tênis, roupa, garrafa, cinto) entre R$ 900 e R$ 2.500. Avaliação médica obrigatória (cardiologista do esporte, eletro e eventualmente teste ergométrico) entre R$ 250 e R$ 500. Se a prova exige viagem, somar passagens e hospedagem. Total típico: R$ 1.300 a R$ 3.500 na primeira prova.
Preciso de atestado médico para correr meia-maratona?
Sim. Provas de 21 km ou mais exigem atestado médico recente (geralmente até 30 dias antes) declarando aptidão para corrida de longa distância. A Sociedade Brasileira de Cardiologia, em diretriz de 2024, recomenda fortemente eletrocardiograma e, para adultos acima de 35 anos, teste ergométrico antes da primeira prova. Não é apenas exigência administrativa, tem razão clínica de prevenir eventos cardiovasculares agudos durante a corrida.
Posso correr a meia-maratona em ritmo de caminhada se cansar?
Sim, em quase todas as provas no Brasil. Tempo limite para conclusão fica entre 3 horas e 3 horas e 30 minutos na maioria dos eventos, suficiente para finalizar caminhando trechos se necessário. Para a primeira prova, vale priorizar conclusão sobre tempo. Tempo objetivo (sub 2h, sub 2h30) é meta razoável para a segunda ou terceira prova, após adaptação.
Que prova é melhor para a primeira meia-maratona?
Provas em maio, junho, setembro e outubro têm clima mais ameno em quase toda capital brasileira, reduzindo risco de hipertermia. Maratona Internacional de São Paulo (abril), Maratona do Rio (junho), Maratona de Floripa (maio ou setembro) e Maratona de Curitiba (novembro) são boas opções de primeira prova. Provas menores em capitais (custo entre R$ 90 e R$ 180) servem para reduzir peso do evento massivo na primeira experiência.
O que comer no dia anterior à prova?
Carboidratos: 7 a 10 g por kg de peso corporal no dia anterior, distribuídos em 4 refeições. Para adulto de 70 kg, 490 a 700 g de carboidratos, em alimentos como arroz, macarrão, batata, pão, fruta. Evitar fibras pesadas e alimentos gordurosos para reduzir desconforto gastrintestinal. Refeição rica em carboidrato 3 a 4 horas antes da largada. Hidratação consistente nas 24 horas anteriores.

Fontes consultadas

  1. Seiler S. Polarized training. DOI 10.1111/j.1600-0838.2010.01184.x · 2010
  2. Videbæk S et al. Running injury incidence. DOI 10.1007/s40279-015-0333-8 · 2015
  3. Thomas DT et al. ACSM/AND Position on Nutrition and Performance. DOI 10.1016/j.jand.2016.01.018 · 2016
  4. Jeukendrup AE. Carbohydrate for exercise. DOI 10.1136/bjsports-2014-093824 · 2014
  5. Hoogkamer W et al. Carbon-plated shoes. DOI 10.1007/s40279-017-0811-2 · 2018
  6. Hew-Butler T et al. Exercise-associated hyponatremia. DOI 10.1136/bjsports-2015-095949 · 2015
  7. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de Cardiologia do Esporte 2024 · 2024
  8. Confederação Brasileira de Atletismo · 2026
  9. Friel J. The Triathlete's Training Bible (atualização 2024) · 2024
  10. Sawka MN et al. ACSM Position Stand on Fluid Replacement. DOI 10.1249/MSS.0b013e31802ca597 · 2007

Como citar esta reportagem

ABNT: REDAÇÃO GESTÃOFITNESS. Sua primeira meia-maratona em 2026: calendário Brasil, inscrição e o checklist de 16 semanas. GestãoFitness, 2026-05-20. Disponível em: <https://gestaofitness.net/atleta/treinar-com-ajuda/primeira-prova>. Acesso em: data.

APA: Redação GestãoFitness. (2026). Sua primeira meia-maratona em 2026: calendário Brasil, inscrição e o checklist de 16 semanas. GestãoFitness. https://gestaofitness.net/atleta/treinar-com-ajuda/primeira-prova

Identificador canônico: https://gestaofitness.net/atleta/treinar-com-ajuda/primeira-prova

Fontes verificáveis na reportagem: 10

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